Sobre o livro "Faça amor, não faça jogo", de Ique Carvalho



Encanto à primeira lida, vocês já ouviram falar nisso? Ou melhor, já se viram envolvidos em algo assim? Pois é, foi exatamente o que aconteceu comigo quando, através da página Brasileiríssimos no facebook, eu descobri o blog The Love Code. De 18 de outubro pra cá eu favoritei o blog, segui a página no facebook, o perfil no instagram, curti todos os textos e, claro, comprei o livro! ..haha... A Ju e outros amigos já sabem que quando eu gosto, gosto mesmo, mas, gente, em relação ao livro do Ique não tem como ser diferente. É impossível você não se encantar com os textos que ele escreve no blog e, mais, duvido que conhecendo-os, você não queira ter um exemplar do livro na sua casa também. Tá, Malu, mas o que esse livro tem de diferente afinal? Posso dizer que o que me chamou a atenção logo de cara foi a simplicidade com que Ique discorre sobre os sentimentos, os relacionamentos, o amor de uma forma geral. Poucos autores da vida real - porque "Faça amor, não faça jogo" é um livro que nos faz conhecer a vida real do Ique - falam com tanta sensibilidade, com tanta verdade sobre medos, sonhos, amizade, ilusões e amores. Poucos cronistas conseguem dialogar com a gente através dos seus escritos.  E foi exatamente essa a sensação que tive durante o tempo em que li esse livro: a de que Ique estava ao meu lado, confidenciando seus sentimentos e, ao mesmo tempo, ouvindo os meus segredos mais profundos. A cada texto lido a intimidade só crescia e, ao final, o sentimento que ficou em mim foi de amizade, sabe? Por tudo o que li nos textos de Ique, ele e o seu pai passaram a ser duas pessoas para as quais eu vou desejar sempre as melhores realizações. Em uma época em que a verdade é como uma moeda falsa e sem valor, em um mundo onde o amor é visto como uma coisa de gente sonhadora e piegas, é simplesmente o máximo você perceber através de um livro que alguém vive tudo isso de uma forma quase plena. Inspiradora. Parabéns ao Ique e ao "seu" Juarez. Saúde e sucesso para vocês, porque amor, os dois já tem de sobra! 

Para finalizar esse post (que não se trata de uma resenha) eu tomei a liberdade de escolher um texto do livro para dividir com vocês. Foi tão difícil fazer essa escolha, mas no fim, esse ganhou o meu coração. Espero que vocês gostem como eu gostei. E, bom, depois de toda a minha empolgação, eu não preciso dizer que recomendo demais esse livro, preciso? Beijos, gente! Até a próxima!

Então, é isso.

Quando tinha 13 anos,
pedi pra Júlia, dizer pra Ana Carolina,
que eu gostava dela.
Fiquei atrás da porta para escutar.
Julia:
“O Ique gosta de você Aninha.”
Ana Carolina respondeu:
“Ele é feio. Não gosto dele.”
Afastei da porta.
Voltei pra casa chorando.
Peguei um papel e escrevi:
“O que é amor?”
Fiquei 20 minutos olhando para o papel.
Dobrei e guardei.

Se me permitem, depois de 20 anos, gostaria de continuar o texto.

Hoje quando cheguei em casa,
vi minha mãe no quarto dos fundos, chorando.
Corri para abraça-la.
Ela chorando, disse:
“Sinto falta do seu pai”
Respondi:
“Eu também mãe.”
Ela:
“Sinto falta do cheiro dele,
do abraço,
do beijo.”
Seguro o choro, e aperto mais forte o abraço.
Ela:
“Sinto falta das viagens juntos,
do ciúme dele,
de como ele segurava a minha mão para atravessar a rua.”
Sinto falta dele abrir a porta do carro pra mim,
de trazer flores toda sexta feira,
do beijo de boa noite.”
Olho pra cima, respiro e seguro o choro.
Ela continua:
“Sinto falta da voz dele,
do som da risada,
da mão dele pelo meu corpo.”
Começo a chorar e falo:
“Mãe! Filho presente!”
Ela chorando, dá um sorriso e diz:
“Seu pai era ótimo na cama!”
Enxugando as lágrimas respondo:
“CARALHO MÃE!”
Ela sorrindo diz:
“Sinto falta dele me chamar de “ENE!”,
de dançar,
do beijo de bom dia,
do sexo pela manhã.”
Dei um beijo nela e disse:
“Tudo vai ficar bem.”
Ela sorriu e foi se deitar.
Vou até o quarto do meu pai.
Conto o que minha mãe disse.
Ele começa a chorar.
Pega o ipad e escreve:

“Amanhã, compre rosas vermelhas. Não deixe sua mãe ver.” 

No outro dia, a noite.
Entro no quarto do meu pai.
Ele escreveu:

“Chame sua mãe.”

Ela entrou no quarto.
Ele começou a escrever.
Quando terminou, me entregou o ipad.
Estava escrito:

“Coloque a música dos Beatles: Yesterday. E entregue as rosas.”

Coloquei a música.
Entreguei as rosas.
Minha mãe começou a chorar.
Continuei a ler:

“Há 35 anos atrás,
coloquei a sua música favorita e lhe pedi em casamento.
Foram os 35 anos mais felizes da minha vida.
Não quero que acabe.
Por isso luto todos os dias para viver.
Só para ter mais um dia ao seu lado.
Para ter o seu beijo de bom dia.
Sentir o seu cheiro.
Seu abraço.
Sentir o seu corpo encostando no meu.
Escutar a sua voz, suave.
Não posso falar,
mas posso sentir,
que você é o amor da minha vida.
Agora…
Pegue a mão da sua mãe,
e a chame para dançar.”

Entreguei o ipad pra ele.
Peguei a mão da minha mãe.
Começamos a dançar.
Ele passou a música sorrindo.
Quando terminamos.
Minha mãe pegou o ipad, estava escrito:

“A única razão, de ainda estar vivo, é você.”

Os dois se olharam,
e as lágrimas escorriam na mesma velocidade.
Naquele momento, descobri.
Quando o olhar,

for mais forte que tocar,

é Amor.

Ique Carvalho

Comentários

  1. Vou pedir licença e como o autor, direi um palavrão: CARALHO, Maluuuuu
    Que texto lindo!!!
    Adorei, adorei, adorei!
    Já disse que vou ter que viver dez mil vidas pra ler tudo que eu quero e minha lista de desejos não para de aumentar!
    Acho que dez mil não vai dar conta não...
    Adivinha se já não tô com a guia do blog dele já aberta aqui do lado, só esperando terminar o comentário para ir lá?
    Aliás, tô indo!
    Bjoss
    Amei a postagem!

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    1. hahaha Ju!!

      Licença concedida! rs

      Você vai se encantar com os textos, eu sei, ou melhor, tenho certeza disso!

      Simbora acrescentando livros às nossas listas! rs

      Beijo!

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  2. Então... Ela se apaixona pelo livro dá de presente pra amiga e daí ficam as duas apaixonadas pelo livro! hehehe
    Linda obra Malu! =D Adorei a expressão Ju!

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  3. /ainnn to lendo este livro, é um encanto! Não sei como ele consegue ser tão apaixonante. Cada linha , a cada palavra, a cada capitulo vvc fica cada vez mais apaixonada. É uma perfeição.

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