27 de agosto de 2014

Resenha: Lolita (Vladimir Nabokov)



Imagem: Google
Sinospse: "Lolita" é uma das obras mais polêmicas da literatura contemporânea universal.
Muito arrojado para a moral vigente na época, o romance de Vladimir Nabokov (1899-1977) foi inicialmente recusado por várias editoras. Ao ser finalmente lançado, em 1955, por uma editora parisiense, gerou opiniões antagônicas: houve quem definisse o livro como um dos melhores do ano; houve quem o considerasse pornografia pura. Nos Estados Unidos, onde só viria a ser publicado em 1958, rapidamente conquistou o topo das listas de mais vendidos.
Visto hoje, filtrado pelos anos e por uma verdadeira biblioteca de comentário e crítica, Lolita parece sobretudo uma apaixonada história de amor, escrita com elegante desespero. O protagonista é o obsessivo Humbert, professor de meia-idade. Da cadeia, à espera de um julgamento por homicídio, ele narra, num misto de confissão e memória, a irreprimível e desastrosa atração por Lolita, filha de 12 anos de sua senhoria.
Escrito num estilo inimitável - mas não intraduzível, como bem se verá -, "Lolita" é uma obra-prima da literatura do século 20. Aqui se cruzam alguns dos temas clássicos da arte de todos os tempos (a paixão, a juventude, o amadurecimento) com questões mais típicas da nossa modernidade, como as ambivalências eróticas e o exílio - que é uma questão tanto de geografia quanto da linguagem e do coração.

***

Alguns livros têm o poder de mexer com você, muito mais do que você pode imaginar. Eu sempre acreditei nisso, até porque não foram poucos os que, de alguma forma, influenciaram minha visão de mundo, meu jeito de pensar e sentir sobre fatos e pessoas. Pois bem. Foi numa recente e tediosa tarde em que buscando um filme que me prendesse a atenção, acabei encontrando Lolita, na sua versão de 1997. Aficionada por dramas, eu rendi-me ao filme e num misto de empatia e aversão fiquei a refletir sobre a história do viúvo Humbert Humbert e sua “amada” Lolita. Sem saber o que realmente pensar a respeito, parti em busca do livro escrito por Vladimir Nabokov, que entre os afazeres diários, li em dois dias. Ousadamente, então, trago esta resenha pra vocês.

Pela sinopse já dá para perceber o quão polêmico é o enredo desse romance. Escrito na forma de um diálogo em que o próprio protagonista conversa com o leitor, o livro relata não só o início da relação dele, um homem de meia idade, com uma garota de 12 ou 13 anos, mas nos faz conhecer o garoto Humbert ainda na sua adolescência, quando ao lado de Anabela, ele descobre os sabores doce e amargo da paixão.
“De repente, estávamos louca, desajeitada, imprudente e angustiadamente apaixonados um pelo outro - e desesperadamente, deveria acrescentar, pois aquele frenesi de posse mútua só poderia ser apaziguado se, verdadeiramente, absorvêssemos e assimilássemos todas as partículas da carne e da alma um do outro...”. 
A partir das lembranças de Humbert, percebemos que Anabela morre de tifo antes mesmo dos desejos de ambos se consumarem. E, rememorando isso para o leitor, enquanto traça um paralelo entre a sua primeira e última paixão, ele reflete e nos faz refletir... 
“Folheio e torno a folhear estas tristes memórias e pergunto-me incessantemente se foi então, no brilho daquele remoto Estio, que começou o angustiante da minha vida. Ou o meu desejo excessivo por aquela criança terá sido apenas o primeiro sintoma de uma singularidade inerente? Quando tento analisar os meus anseios, as minhas razões, os meus actos, etc., rendo-me a uma espécie de imaginação retrospectiva, que alimenta a faculdade analítica com alternativas sem fim e faz que o caminho visualizado bifurque e torne a bifurcar infinitamente na perspectiva enlouquecedoramente complexa do meu passado. Estou, no entanto, convencido de que, de certo modo mágico e fatídico, Lolita começou com Anabela.”
Confesso que essa parte das memórias de Humbert talvez tenha me influenciado durante toda a leitura. Mesmo agora, quando escrevo estas linhas, fico oscilando entre duas opiniões: seria ele um irremediável pedófilo ou apenas um homem preso ao passado de um amor mal vivido? Sinceramente não sei.

"Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita."
O encontro de Humbert com aquela que viria a ser sua perdição, e isso no sentido mais amplo dessa expressão, se deu - nas palavras dele - por obra do destino. Europeu erradicado nos Estados Unidos, buscando estabilidade profissional e conforto, ele se hospeda na casa de Charlotte Haze ao conhecer e imediatamente se encantar por sua filha Dolores, a sua futura Lolita. Num primeiro momento fica claro o conflito que se abate sobre ele. Humbert reconhece a impropriedade e a baixeza dos seus anseios em relação à garota, mas, a medida em que ele vê nela uma ninfeta, ele se permite - no início, comedidamente - dar vazão aos seus desejos e paixão.
"Se o meu corpo sabia o que desejava, o meu espírito repelia todos os seus apelos. Num momento sentia-me envergonhado e assustado; no seguinte, temerariamente otimista. Os tabus estrangulavam-me."
"O que me enlouquece é a dupla natureza desta ninfeta - de todas as ninfetas, talvez -, esta mistura, na minha Lolita, de uma terna infantilidade sonhadora e uma espécie de misteriosa vulgaridade, oriunda da graciosidade petulante dos retratos de anúncios e revistas...".
Lendo a sinopse, dá pra gente ter uma ideia do que ocorre entre Humbert e Lô. Uma garota espevitada, no decorrer do livro ela se mostra provocadora e consciente do fascínio que exerce sobre o nosso confidente. O primeiro beijo entre os dois ocorre quando ela sai de viagem para um acampamento. Nesse meio tempo sua mãe morre num acidente, oportunidade que Humbert aproveita para, aparentemente como pai e filha, mas secretamente amantes, eles saírem em viagem pelos Estados Unidos. E é então nesse contexto que a relação entre os dois realmente se desenvolve. Não vou pormenorizar todos os acontecimentos dessa história, até porque ela se desenrola em 1088 (no pdf que eu li) páginas; mas, o livro mostra de forma muito intensa que o inicial encantamento do seu protagonista se transforma numa verdadeira fixação, obsessão pela garota. Assim é que Humbert se torna ciumento, possessivo, e Lô manipuladora.  
"Agora, contorcendo-me de dor e deblaterando contra minha própria memória, reconheço que naquela ocasião, como em outras semelhantes, eu sistematicamente cuidava de ignorar os sentimento de Lolita apenas para aliviar minha vil consciência."
O desfecho do romance é bem triste, tanto pela história em si, como pelo fim trágico que o autor dá a todos os personagens. De minha parte, mais uma vez, eu confesso não saber o que pensar. Na verdade, nem estou bem certa sobre quais eram as minhas expectativas para o fim do livro. Como uma incurável romântica e sonhadora, talvez parte de mim esperasse que Humbert se regenerasse e Lolita reconhecesse que apesar de tudo, ele a amava. Por outro lado, apesar da veemência do protagonista em afirmar seus sentimentos, e acho que é isso que me faz balançar, não vejo como pode existir amor no tipo de relação marcada por chantagem e subjugação (de ambos os lados) que eles viveram.   Mas, essas são dúvidas minhas, deixo a solução do X dessa questão para vocês.
"Eu te amei. Era um monstruoso pentápode, mas como te amava. Era desprezível, brutal, torpe – tudo isso e muito mais, mais je t’aimais, je t’aimai! E houve momentos em que sabia como você se sentia, e era um inferno sabê-lo, minha menina querida. Minha pequena Lolita, minha corajosa Dolly Schiller!"

Identificação Imediata - Resenha de "Tamanho 42 Não é Gorda", de Meg Cabot




Título: Tamanho 42 Não é Gorda (Size 12 is not fat )
Autor: Meg Cabot
Tradução: Ana Ban
Editora: Galera Record
416 páginas

O título da resenha já diz tudo: me identifiquei imediatamente com este livro. A começar pelo título, que é tudo o que alguém que usa tamanho 42 - tipo eu - quer ouvir. E mais alguns aspectos que vou descrever no decorrer deste texto.

Meg Cabot, autora da série "O Diário da Princesa", nos apresenta a Heather Wells, uma ex-cantora pop que fez muito sucesso na adolescência e que hoje é apenas uma diretora assistente em um conjunto residencial estudantil, tentando ganhar uma bolsa para entrar na faculdade de Nova York.

Heather tem 28 anos - mais um ponto em comum comigo - e foi traída pelo ex-noivo Jordan, e hoje mora com o irmão dele, Cooper; o homem que atualmente ocupa todos os espaços nos seus sonhos.

Tudo corre bem em seu emprego, até que duas garotas morrem após supostamente fazerem surf de elevador. Mas Heather não acredita nessa hipótese, devido ao perfil das garotas e, com a ajuda de Cooper começa a investigar as circunstâncias misteriosas sobre a morte das mesmas.

Meg cabot é incrível. Já a adorava pelo Diário da Princesa, mas com  Heather é simplesmente genial. A personagem é muito engraçada e muito irônica sobre sua própria situação e o humor presente em suas frases é contagiante. Eis algumas das boas partes que separei:

"E depois, não sei como é que alguém pode achar um cigarro melhor do que uma barra de chocolate Butterfinger, então, se você vai fazer alguma coisa que não é boa para você, por que não escolher uma delícia crocante com amendoim?"

“E não vou começar a comer salada sem molho se é o que eu preciso fazer para conseguir um homem... Não estou assim tão desesperada”

Essas são só duas das frases geniais entre as inúmeras pérolas que Heather tem para nos oferecer. Se você usa tamanho 42, está um pouquinho acima do peso, não se encaixa nos padrões de beleza impostos, ou se é só guloso mesmo, vai saber se encontrar nesse livro em vários momentos.

Eu me identifiquei não só pela idade e pelo tamanho 42, mas porque Heather, apesar de ter 28 anos, tem suas inseguranças, seus momentos de imaturidade, ela está acima do peso, tem medo de ser rejeitada porque o ex-noiva a traiu, enfim... ela é tão normal quanto nós, meros mortais.

A história é muito bem desenvolvida, temperada com o humor da personagem principal, suas inseguranças e pequenas loucuras e detalhes sutis que pessoas do tamanho 42 – ou fora dos padrões -  saberão muito bem entender. Mas o livro é indicado para qualquer tamanho, ok?

Eu só achei que o final poderia ter sido um pouquinho mais desenvolvido, mas minha insatisfação ligeira durou apenas até o instante em que descobri que Heather tem uma série toda dedicada para ela, o que pode trazer a possibilidade de desenvolvimento para esse final um tanto quanto “sei lá”.

Os próximos livros da série são: “Tamanho 44 Também Não é Gorda”; “Tamanho Não Importa” e “Tamanho 42 e Pronta Para Arrasar”. Não preciso nem dizer que estão todos na minha extensa lista de leitura desejada e que assim que estiverem lidos, vão estar aqui resenhados e recomendados, pois tenho certeza de que se tratando de Meg Cabot, é certa a indicação.

Recomendo portanto a leitura deste livro que é leve, divertido e você vai ler tão rápido que vai lamentar quando perceber que acabou.
Por hoje é só.
Beijos e até a próxima.

19 de agosto de 2014

"É preciso coragem para perder a inocência." - Resenha de "Belle"; de Lesley Pearse




Título: Belle
Autor: Lesley Pearse
Tradução: Bábara Menezes; Carolina Caires Coelho e Elisabete B. Pereira
Editora: Novo Conceito
559 páginas

O livro gira em torno da história da personagem título - Belle  e de como ela passou de uma vida protegida dentro do bordel administrado pela mãe, à testemunha de assassinato e vítima de sequestro, sendo jogada dentro do mundo da prostituição.
Isso pode parecer meio assustador no início, mas nem só de coisas lindas é feita a vida, nem mesmo na Inglaterra de 1910, que é onde essa história se passa.
O que me chamou a atenção nesse livro, além do fato de ser ambientado nessa época e na Inglaterra, foi a capa dele, que eu achei muito bonita. Aí completou minha regra de três da literatura: Romance- Inglês - de Época e pronto: tirei da prateleira da biblioteca e trouxe para casa.
Mais uma coisa que gostei bastante é que o livro é bem grosso - ultrapassa a marca de 500 páginas - e isso também pode assustar um pouco, mas a leitura flui tão facilmente, que você acaba esquecendo quantas páginas ele tem.
A história de Belle se estende da Inglaterra à França e depois aos Estados Unidos, onde seu destino como prostituta é selado de vez. Em seu caminho ela conhece gente da pior espécie, mas também vê que em meio a toda aquela desesperança, existem pessoas boas, que acabaram caindo nesse meio por não terem outra opção. essas pessoas influenciam para o bem ou para o mal, seus planos nunca abandonados de um dia regressar à Inglaterra de maneira respeitável e se tornar dona de uma loja de chapéus,
Uma coisa eu já digo: se você se considera uma pessoa muito sensível, não leia este livro. Diversas das situações que Belle enfrenta no caminho são bem incômodas, coisas bem ruins, e alguns detalhes e descrições podem incomodar quem não esteja acostumado. A vida que ela enfrenta passa longe de um Conto de Fadas. Ela amadurece da pior maneira possível, mas de alguma forma consegue manter intacta uma fina camada de sua ingenuidade de menina, o que acaba, muitas vezes fazendo com que a gente fique com raiva dela, por ela se deixar enganar e cair em diversas armadilhas. A gente não acredita que depois de tudo que ela passa, ela ainda seja tão boba de cair em truques, mas ela cai. 
Outra coisa que é importante ressaltar, é que este livro nos mostra o lado mais obscuro. Eu peguei achando que ia encontrar um romance lindo e perfeito, mas encontrei uma crítica social intensa, o preconceito sofrido pelas mulheres, injustiças, enfim, um lado que geralmente não é tão descrito em romances ingleses dessa época, e isso me surpreendeu.
Chega um momento que você simplesmente não consegue largar o livro. cada capítulo desse determinado momento acaba com gostinho de quero mais. Sabe aquela desculpa do "só vou ler mais um capítulo"? Pois é, você vai usá-la pelo menos 5 vezes, antes de perceber que são 5 da manhã e que você ainda não dormiu (digo isso por experiência própria).
A única coisa que e incomodou um pouco foi a tradução. Encontrei algumas coisa incoerentes, alguns erros de concordância e frases que tive que consertar mentalmente para ter sentido e conseguir ler. talvez pelo fato de o livro ter três tradutoras, tenha bagunçado um pouco. Mas nada que atrapalhe o andamento do livro ou interfira na história. E me incomoda também o fato de ter algumas expressões em francês que não foram traduzidas, então já fiquem de olho no Tradutor, se quiserem descobrir todas as expressões. 
Fora isso o livro é muito bom, exatamente por retratar um çado que leitoras de romance inglês como eu não estão acostumadas.
Uma boa leitura, super indicada.
É isso por hoje e até a próxima!

Ps: Há um personagem, cuja descrição me fez imaginar Matthew Macfadyen (o Mr. Darcy de "Orgulho e Preconceito", filme de 2005). Não vou contar que personagem que é para que vocês tenham a liberdade de imaginá-lo livremente, mas no meu caso, isso só me incentivou ainda mais a ler o livro e querer que esse personagem estivesse presente em todos os capítulos...

14 de agosto de 2014

#TAG: "Amo Livros" by Malu

Ei, gente! 

Hoje trouxe a segunda TAG do nosso blog (eu realmente gosto de posts assim! rs), e dessa vez a encontrei no Legeri Oculis, o blog do querido Raimundo, que sempre está presente aqui no T&R. Trata-se de um exercício de reflexão muito bacana, com perguntas elaboradas a partir de acróstico. Vamos lá?

Algum livro já mudou a sua forma de enxergar as coisas?
Bom, quem gosta de ler realmente, há de concordar quando eu afirmo que é bem pequeno o número de livros que não mudam de alguma forma o nosso modo de perceber, enxergar as coisas. Dificilmente isso não ocorre comigo. Qualquer que seja o estilo literário,  na maioria das vezes eles me trazem alguma reflexão que eu passo a levar pela vida a fora. Mas, sem mais delongas, o primeiro livro que me veio a mente assim que li essa pergunta - ainda lá no LO - foi "O Evangelho segundo o Espiritismo". Não por se tratar de um livro religioso, mas por trazer um conteúdo racional, lógico, a respeito de assuntos que antes eu não entendia ou mesmo aceitava. Esse é com certeza um dos meus livros de cabeceira, que geralmente vai comigo pra onde eu for.

Meu Deus! Eu tenho muitos livros não lidos! Verdadeiro ou falso?
Vedadeiríssimoooo! Tô com uma pilha de livros, a maioria espíritas, que ganhei quando o Ônibus Livraria Chico Xavier passou aqui pela minha cidade. Conseguem imaginar a festa que eu fiz? rs

Onde você costuma comprar seus livros?
Euzinha, mesmo, compro mais na AVON. Mas confesso que a maioria dos livros que eu tenho me chegaram em forma de presentes.

Lê sinopses?
Seeempreee! É a primeira coisa que faço quando tenho um livro me chama a atenção. Geralmente é só a partir delas que me decido a comprá-lo ou não.

Internacionais ou nacionais?
Ultimamente tenho lido mais autores internacionais, mas não me prendo muito a essa questão. O Brasil tem ótimos autores e sempre que tenho a oportunidade, eu não me faço de rogada não. Aproveito e leio mesmo!!!

Vai à biblioteca?
Faz um tempão que não, mas adorava ir na da escola. Saudade.

Rivalidade entre séries: desgosta de alguma por gostar de outra?
Não.

Odeio quando...
Fico só na vontade de comprar um livro!

Séries ou livros únicos?
Livros únicos, apesar de que alguns eu desejei muito, muito, muito que não acabasse. Mas, pra ser sincera, eu não gosto de séries. Sou ansiosa demais pra aguardar o lançamento da continuação de um livro! rs 

Eis que divido com vocês mais um pouquinho a respeito de tudo o que gira em torno da minha paixão por livros. :) Até a próxima, okay? <3

10 de agosto de 2014

Resenha: "A última música"

Imagem: google

Oi, gente! Hoje trago a minha segunda resenha feita especialmente para o T&R. E, como já viram no título, vou escrever sobre um dos livros do Nicholas Sparks, no caso, o "A última música". Confesso que estava meio resistente em relação a esse livro, porque já tinha visto o filme baseado nele, mas, como sempre, Nicholas tem um jeito todo dele de fazer com que nos envolvamos com a história, né? E comigo, lendo esse livro, não foi diferente. Fiquei realmente com dó quando percebi que havia chegado à última página.

Sinopse
Mais uma vez Nicholas Sparks nos mostra porque é considerado o mestre do romance moderno e porque seus livros são adorados por leitores de todo o mundo. Seguindo a tradição de seus mais belos romances, ele agora nos apresenta uma comovente história sobre família, amizade, amor, amadurecimento e especialmente sobre como perdoar e recomeçar. Aos dezessete anos, Verônica Miller, ou simplesmente Ronnie, vê sua vida virar de cabeça para baixo, quando seus pais se divorciam e seu pai decide ir para a praia de Wrightsville, na Carolina do Norte. Três anos depois, ela continua magoada e distante dos pais, particularmente do pai. Entretanto, sua mãe decide que seria melhor os filhos passarem as férias de verão com o pai na Carolina do Norte. O pai de Ronnie, ex-pianista, vive tranquilamente na cidade costeira, absorto na criação de uma obra de arte que será a peça central da igreja local. Ressentida e revoltada, Ronnie rejeita toda e qualquer tentativa de aproximação do pai e ameaça voltar para Nova York antes do verão acabar. É quando Ronnie conhece Will, o garoto mais popular da cidade, e conforme vai baixando a guarda, começa a apaixonar-se profundamente por ele, abrindo- se para uma nova experiência que lhe proporcionará uma imensa felicidade - e dor - jamais sentida. Uma história inesquecível de amor, carinho e compreensão - o primeiro amor, o amadurecimento, a relação entre pais e filhos, o recomeço e o perdão - A ÚLTIMA MÚSICA demonstra, como só Nicholas Sparks consegue, as várias maneiras que o amor é capaz de partir e curar seu coração.

Bom, como disse no início, eu estava resistente a ler esse livro, afinal, já conhecia a história por causa do filme. Mas, essa última frase da sinopse realmente chamou minha atenção. "As várias maneiras que o amor pode partir e curar seu coração." Nessas breves palavras a gente pode perceber o que de fato aconteceu com a personagem central da história. O livro começa do fim, o que faz com que a história nos seja contada através das lembranças de uma Ronnie - já curada pelo amor -, quando esta relata para sua mãe como foi o verão que ela e o irmão - Jonah - passaram numa praia junto ao pai. Pelo diálogo das duas, a gente consegue perceber parte do desfecho da história, detalhe que não diminuiu em nada a minha vontade de continuar a leitura. O enredo realmente nos prende.

Enquanto Jonah vai ao encontro do pai super animado, Ronnie segue obrigada pela mãe, reclamando e resmungando a viagem toda. Ao chegar na casa onde passará todo o verão, o desgosto da garota só aumenta ao perceber que além de dividir o quarto com o irmão, ela terá que ouvir diariamente o pai tocar piano, algo que na cabeça dela ele o faz só para sensibilizá-la. De tão irritada com toda a situação, Ronnie resolve sair sem destino pela pequena cidade e, num desses passeios, ela acaba literalmente dando de cara com um jogador bonitão, que no meio de uma partida  de vôlei, acerta-lhe uma bolada, fazendo-a derramar refrigerante na própria blusa. A partir desse fato outros vão se desenrolando no enredo, e Ronnie vai perdendo a pose de menina marrenta a medida em que redescobre a afinidade com Steve (seu pai) e se entrega ao amor que a convivência com Will despertou em seu coração. 

Não vou conseguir falar mais sobre o livro sem cometer a gafe de soltar alguns spoilers, assim, só quero acrescentar que "A última música" é um romance que vale muito a pena ser lido. Steve, Ronnie, Jonah e Will são personagens cativantes, e apesar de ter um "quê" de drama, a história tem a leveza e a sensibilidade que já são a marca registrada de Nicholas Sparks. Em mim, a reflexão que ficou ao final da última página (eu lamentei tanto ter chegado tão rápido a ela!) foi a de que somos o resultado das nossas crenças, dos nossos pensamentos e sentimentos. Ronnie passou da garota rebelde à mulher madura, que enfrentou a dor com uma coragem e dedicação que poucos de nós nos vemos capazes, se não passamos por algo semelhante ao que ela passou. No fim, fortaleceu-se em mim a certeza de que dor e amor são mecanismos de transformação e cura em nossos corações.
 
"A vida é bem parecida com a música. No começo, há mistério e no final, confirmação. Mas é no meio que reside a emoção e faz com que a coisa toda valha a pena." - Pág. 381

9 de agosto de 2014

A Marca Eterna de Um Livro - Resenha de "A Marca de Uma Lágrima"



Título: A Marca de Uma Lágrima
Autor: Pedro Bandeira
Editora: Moderna
126 páginas

Antes de qualquer coisa, quero contar como este livro me chegou às mãos.
Uma vez, na sétima série, a professora de português teve a brilhante ideia de pegar uma caixa de livros que ela tinha em casa, levar para a escola e deixar que cada aluno escolhesse um para ler, fazer um resumo e entregar o trabalho para nota.
Eu, como leitora ávida, adorei a ideia e fui uma das primeiras a me atirar sobre a caixa.
Eis que lá, no meio daquela montanha de livros, uma capa azul que mostrava uma garota escrevendo enquanto uma batalha fantasiosa acontecia atrás dela, me chamou a atenção. Então eu li o título e não deu outra. Pensei: "Isso é a minha cara!". E escolhi meu livro.
Aliás, muito obrigada professora Marlett por trazer até mim um dos livros mais maravilhosos que já li na minha vida.
Enfim. O livro nos conta a história de Isabel, uma típica adolescente de 14 anos, toda insegura e que adora escrever. Quando sua mãe informa que ela terá de ir ao aniversário de um primo que não vê há tempos, ela, pensando se tratar de uma festa chata de criança, convida sua amiga Rosana para ir com ela.
Chegando lá, Isabel descobre que o priminho chato cresceu e se tornou a personificação de todos os seus sonhos de amor. Mas, para tristeza de Isabel, seu sonho vira um pesadelo, quando Cristiano - o primo - confessa que está apaixonado por Rosana - a melhor amiga. Tudo piora quando Rosana confirma que o amor é recíproco. Os dois então pedem a ajuda de Isabel para fazer com que seu amor dê certo e assim começa a saga dessa garota, escrevendo cartas para o cara que ela ama ser conquistado pela sua melhor amiga.
Esta história de Pedro Bandeira foi inspirada  na obra "Cyrano de Bergerac - uma peça de teatro escrita por Edmond Rostand em 1897. Resumindo: Cyrano se apaixona por uma moça, mas ajuda Cristiano, seu amigo, a conquistá-la, já que ele não sabe lidar com as palavras.
A Marca de Uma Lágrima me conquistou fácil, já que eu era praticamente como Isabel: com um ano a menos do que ela eu era extremamente insegura, exagerada - pois como ela eu achava que fosse morrer por causa de meu amor não correspondido - e sim, eu gostava - e ainda gosto - muito de escrever, inclusive poesias durante as aulas enquanto observava meu objeto de desejo.
Mas o livro conquista não só por mostrar todos esses conflitos típicos da adolescência, todo esse amor exagerado, a desilusão. Conquista porque Pedro Bandeira tem o dom fantástico de parecer uma garota de 14 anos nessa história. De escrever como ela, de pensar como ela, de sentir como ela. A gente não enxerga Pedro Bandeira, a gente enxerga Isabel.
Para temperar a história, temos um assassinato, ameaças e Isabel no meio desse mistério. E temos Fernando, que está sempre ao lado dela para o que der e vier.
Não vou falar mais nada para não estragar a história, mas indico demais esse livro. É infanto juvenil, mas eu leio e amo até hoje. (Já li ele mais de 10 vezes. Li ele ontem em duas horas para fazer essa resenha aqui - e também decorei todos os poemas da Isabel).
Só para constar, nunca escrevi cartas para ajudar ninguém a conquistar o meu amor. Acho que eu não conseguiria fazer isso.
Sem mais, vou parando por aqui, esperando que vocês gostem deste livro lindo que deixou uma marca significativa dentro do meu coração.
Beijos e até a próxima!

2 de agosto de 2014

#TAG: Doenças Literárias by Juliana

Bom gente, a Malu já respondeu a dela e agora chegou a minha vez de fazer a minha. Trata-se da TAG Doenças Literárias, onde cada livro é definido de acordo com uma doença. Então vamos lá:

1- Diabetes: Aquele livro que é uma doçura: 
"Coração de Criança"; de Tânia Maria a. de Melo Orlando.
Escolhi esta linda história, que é infantil, espírita, e que passa uma mensagem muito emocionante, independente da religião. Nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos, que é um dos grandes mandamentos de Deus - do qual muita gente hoje em dia anda esquecida.



2- Catapora: Um livro que você leu e não lerá de novo: 
A saga "Crepúsculo"; de Stephenie Meyer
Acho que já tive minha dose de Crepúsculo. Gostei dos livros, mas os filmes me desencantaram. Acho que não tenho espaço e nem vontade de ler eles novamente. Não vou dizer que nunca, mas por hora não.


3- Ciclo Menstrual: Um livro que você relê constantemente: 
"A Marca de Uma Lágrima"; de Pedro Bandeira.
Pedro Bandeira é um dos autores nacionais que me encanta. Posso dizer que ele é meu autor nacional favorito. "A Marca de Uma Lágrima chegou até mim por meio de uma professora de português na sétima série. Ela levou uma caixa de livros e deixou que cada um escolhesse um que lhe interessasse para ler e depois fazer um resumo. O título e a capa deste me chamaram a atenção assim que lhes pus os olhos e de lá para cá eu vinha lendo ele uma vez por ano. Acho que foi o livro que li mais vezes e é uma pena que eu ainda não o tenha na minha estante. Aliás, Pedro Bandeira, aceito doações! hahaha



4- Gripe: Um livro que se espalhou como um vírus: 
“Harry Potter”; (os 7) de J.K. Rowling.
Esse foi um vírus que me infectou para sempre. Espalhou-se pelo mundo inteiro, chegou até mim e ficou. Foi o Harry, que depois de um certo tempo, me despertou novamente para o mundo da leitura e eu abri essa porta e nunca mais saí. Enfim, estou “doente” dele para sempre. A gripe de Harry Potter não tem cura para mim. Aliás o Harry poderia se encaixar na categoria acima também, porque já li um monte de vezes também.




5- Asma: Um livro que te deixou sem fôlego: 
“A Menina Que Não Sabia Ler”; de John Harding
Esse livro foi uma surpresa. E muito boa, por sinal. É um suspense com cenas de arrepiar os cabelos e que dão de 10 x 0 em muito filme de terror por aí. Para se ter uma noção, eu gosto de ler de madrugada por conta do silêncio e tranquilidade e pela certeza de não ser incomodada por ninguém, já que todos estão dormindo. Mas esse livro me fez torcer para alguém acordar e vir falar comigo, porque ao mesmo tempo que eu estava louca para saber o que viria a seguir, eu também ficava morrendo de medo do que poderia vir a seguir. Literalmente de tirar o fôlego.




6- Insônia: Um livro que te tirou o sono: 
“Inveja”; de Sandra Brown
Olha, é realmente uma pena que esse livro não seja tão conhecido, porque ele merece. A história é incrível! Acho que gostei dele principalmente porque, como eu leio demais e tenho a imaginação muito fértil, acabo adivinhando os finais de muitas histórias. Mas essa, desabou com todas as minhas teorias. Tudo que eu imaginei passou longe, a quilômetros de distância do final. Eu não dormia, porque ficava pensando no livro e acendia a luz do quarto de novo e lia até o dia amanhecer. Enfim, indico demais esse livro.



7- Amnésia: Um livro do qual você não se lembra muito bem: 
“Alice no País das Maravilhas”; de Lewis Carroll
Eu sei que li, e sei que a gente sabe da história de tanto que assitiu filme baseado nele, mas não me lembro de detalhes do livro. Afinal, li ele quando era criança, e lá se vai um tempinho...



8- Má Nutrição: Um livro no qual faltou conteúdo para reflexão: 
“A Cabana”; de William P.Young
Sei que muita gente não vai concordar comigo, mas não encontrei a profundidade espiritual que a maioria das pessoas disse ter encontrado neste livro. Não entrei na cabana, não vi a luz, não encontrei Deus, sei lá. Para mim, o livro tem uma versão tão absurda de Deus que tudo o que eu consegui enxergar foi uma versão da Tia Nastácia e uma japonesa estranha numa cachoeira. Para mim, cada vez que essa descrição aparecia, eu me via no meio do Sítio do Pica Pau amarelo e não consegui entender como é que a Tia Nastácia ia me fazer encontrar a espiritualidade e a paz interior. Desculpa gente, mas esse livro simplesmente não me convenceu. Achei fantasioso demais e monótono. Abandonei a leitura e não acho que ele vai ter uma segunda chance comigo.




9- Doenças de Viagem: Um livro que te leva para outra época/mundo: 
“Orgulho e Preconceito”; de Jane Austen.
Este é outro que já li diversas vezes e toda vez que eu leio viajo para a Inglaterra de séculos atrás; me vejo dentro dos salões de baile, com aqueles vestidos lindos, com a perspectiva de conhecer jovens cavalheiros e com Mr. Darcy pedindo para dançar comigo... Ai, ai... tá vendo? Só de pensar nele já não estou mais aqui.



No mais acho que é isso gente. Espero que vocês gostem das dicas e peguem várias dessas doenças – as minhas e as da Malu – mas só nos livros hein?


Beijos e até a próxima!