25 de agosto de 2015

O Amor é a Flor da Estação - Resenha de "Mar de Rosas", de Nora Roberts




Título: Mar de Rosas (Bed of Roses)
Autor: Nora Roberts
Tradução: Janaína Senna
Editora: Arqueiro
287 páginas
Livro 2 da série "Quarteto de Noivas"

Sinopse:  Emma Grant é a decoradora da Votos, empresa de organização de casamentos que fundou com suas três melhores amigas de infância – Mac, Parker e Laurel. Ela passa os dias cercada de flores, imersa em seu aroma, criando e montando arranjos e buquês. 

Criada em uma família tradicional e muito unida, Emma cresceu ouvindo a história de amor dos pais. Não é de espantar que tenha se tornado uma romântica inveterada, cultivando um sonho desde menina: dançar no jardim, sob a luz do luar, com seu verdadeiro amor. 
Os pais de Jack se separaram quando ele era garoto, e isso lhe causou um trauma muito profundo. Ele se tornou um homem bonito e popular entre as mulheres, porém incapaz de assumir um compromisso. Quando Emma e suas três amigas fundaram a Votos, foi Jack, o melhor amigo do irmão de Parker, quem cuidou de toda a reforma para transformar a propriedade no melhor espaço para casamentos do estado. 
Os seis são praticamente uma família. E justamente por isso Emma e Jack nunca revelaram a atração que sentem um pelo outro.
Mas há coisas que não podem ficar escondidas para sempre...

Olá pessoal!

Eis que o dia chegou! A biblioteca da cidade me trouxe "Mar de Rosas" às mãos e aqui estou eu para contar o que achei dele. A ansiedade pela continuação era tanta que terminei a leitura em três dias (se não tivesse que trabalhar, ou dormir, teria terminado antes). Então vamos lá.
Este é o segundo volume da série, e conta a história da florista Emma Grant. Uma mulher super bem resolvida, determinada e que sabe bem o que quer e isso vale para todos os aspectos de sua vida. Apesar de ser romântica e sonhar com um príncipe encantado e uma noite de dança à luz do luar, Emma nunca se deixou levar pelas emoções e controla todos os seus casos antes que eles cheguem longe demais. Para ela é oito ou oitenta, não tem meio termo. Da mesma maneira que ela não deseja que brinquem com seus sentimentos, ela também não faz isso com os homens com os quais se relaciona. E ela consegue viver muito bem desta maneira.

"O amor pode ferrar bastante com você até que descubra como conviver com ele. E uma vez que você descobre, fica se perguntando como conseguiu viver até ali sem ele."

Jack é um arquiteto, solteiro convicto. Nunca sentiu essa necessidade de "se amarrar" a alguém. Seus pais se separaram quando ele era pequeno e talvez isso o tenha feito ficar um tanto quanto traumatizado com relacionamentos. Desta forma, nunca deixou nenhuma mulher chegar perto demais.
Mas o destino nunca quer saber de nossas convicções e com nossos queridos personagens aqui, não poderia ser diferente. É deste modo que Emma e Jack, amigos a mais de dez anos, passam a se ver de outra maneira. O desejo pega fogo e o amor bate a porta  e aí...


Emma tinha cheiro de flores, mas Jack não conseguia distinguir quais seriam. 
Era um buque misterioso e exuberante. Seus olhos eram escuros, suaves, profundos, 
e a boca... teria um gosto tão bom quanto o do bolo de Laurel? Que inferno isso!
     - Olhe, isso com certeza não é lá muito apropriado, portanto, peço desculpas de antemão.
   Pegou-a pelos ombros novamente e a puxou mais para perto. 
Viu então aqueles olhos escuros, suaves, profundos se arregalarem de espanto um segundo antes de seus lábios tocarem os dela.


Nora Roberts é uma de minhas romancistas favoritas. Embora ela tenha escrito tantos romances que faça com que o resumo da obra pareça clichê, ela sempre sabe nos prender na medida certa e fazer com que a gente queira sempre mais e mais. Com Emma e Jack ela segue por um caminho que faz a gente acreditar que não tem como dar errado e de repente, tudo desaba e faz a gente ficar indignado, querendo saber por que, POR QUE o mundo não pode ser menos complicado e as pessoas se aceitarem do jeito que são e enxergarem as coisas de maneira mais simples???
Mas se fosse tudo tão fácil assim, não teria graça e é aí que está o elemento X dos livros desta mulher maravilhosa.

"Você precisa parar com isso. O vinho e suas mãos mágicas vão acabar me fazendo dormir aqui mesmo, na escada."

Gostei do segundo volume, porém, o primeiro me encantou mais, talvez por Carter ser mais fofo, ser romancezinho de escola, ter aquela coisa de amor da vida toda... Sei lá. Alguns dos motivos por eu ter gostado mais do primeiro você pode encontrar aqui. Achei que o desfecho deste segundo foi meio no atropelo, sabe? Mas isso não significa de maneira nenhuma que o livro é ruim. Só gostei mais do primeiro e, como não poderia deixar de ser, ele vem com o gostinho do que está por vir no terceiro e no quarto livros, o que nos dá aquela pitada de quero mais que faz toda a diferença.
Enfim, o terceiro livro vai contar a história de amor de Lauren, a doceira, que, se for como as pistas neste livro indicam, tenho certeza de que vou amar.


Viver comigo. Acordar comigo, plantar flores para mim e provavelmente me lembrar de regá-las. Vamos fazer planos e muda-los à medida que o tempo for passando. Vamos construir um futuro. Vou lhe dar tudo o que eu tiver e, se precisar de mais alguma coisa, vou buscar e lhe dar também.



Por hoje é só e até a próxima!

16 de agosto de 2015

Simplesmente fofo - Resenha de "Garoto Encontra Garoto", de David Levithan

Imagem: Cachola Literária



Título: Garoto Encontra Garoto (Boy Meets Boy)
Autor: David Levithan
Tradução:
Editora: Galera Record
240 páginas

Olá pessoal!
Estou aqui porque eu quero, porque eu DEVO e porque eu PRECISO falar deste livro fofo - na falta de uma palavra melhor - que acabei de ler.

"Andamos pela cidade mãos dadas. Se alguém repara, ninguém liga.
Sei que todos gostamos de pensar no coração como o centro do corpo, mas nesse momento, 
cada parte consciente de mim, está na mão que ele segura."

Sou uma romântica incurável, delirante e sonhadora, defensora do amor acima de todas as coisas, de todas as formas e de todos os conceitos e esse livro me trouxe tudo isso e muito mais. Me trouxe o resgate daquele amor inocente, sabe? Quando a gente gosta do garoto bonito da escola e acha que ele é areia demais pro nosso caminhãozinho e, de repente, não mais que de repente, aquele garoto gosta de gente? Milagres que acontecem de um em um milhão e que enchem o coração da gente de alegria? Um mundo com mais aceitação e tolerância? Tudo isso me fez ficar embriagada e não conseguir ler mais nada porque a linda história de amor de Paul e Noah tomou todos os meus espaços e eu não consigo deixar que eles saiam de mim. O livro é divertido, faz a gente pensar, faz a gente rir, faz a gente torcer, deixa a gente co raiva de algumas coisas e a palavra para mim é resgate. Resgate do amor no mais puro sentido da palavra. E fazia tempo que eu não lia um romance assim (e olha que eu leio muito!), que me deixou flutuando e delirando como se uma das metades do casal fosse eu. 

"- A gente se vê por aí.
Tenho vontade de dizer 'espero que sim', mas fico com medo de ser avançado demais. 
Sou capaz de flertar com os melhores, mas só quando não importa.
  - A gente se vê - ecoo."

Paul e Noah ainda estão na escola e se conhecem numa biblioteca (olha que lugar mais lindo para uma história de amor começar <3). A partir deste primeiro momento, Paul começa a sentir algo diferente e o romance dos dois começa a se desenvolver.
Os personagens deste livro são incríveis. David Levithan tem uma sensibilidade que não dá para descrever. 
Noah é um Príncipe Encantado gente! E se eu for ficar enumerando cada razão pela qual eu gostei dele, essa resenha não vai ter fim.
 Paul é bastante confuso, atrapalhado, e vive tantas situações que eu já vivi, que me identifiquei com ele muitas vezes.

Noah é pontualíssimo. E trouxe flores para mim. Tenho vontade de chorar. Sou tão bobo, mas agora estou tão feliz. São jacintos e jacarandás e uma dezena de outras flores que não consigo nem começar a nomear. Um alfabeto de flores. Ele as está dando para mim, sorrindo e dizendo oi, esticando os braços e colocando-as na minha mão. A camisa dele brilha um pouco na luz do sol, e o cabelo está bagunçado, como sempre. Ele hesita um pouco no degrau de entrada, esperando para ser convidado. Eu me inclino para a frente e o beijo.

Toni é o melhor amigo de Paul e poderia ser um pretendente perfeito mas, conforme a história se desenvolve, a gente vai percebendo que a amizade entre os dois é um amor muito maior do que qualquer outro e esse é um dos pontos altos do livro para mim. Toni é um garoto que esconde dos pais que é gay - e que seu melhor amigo é gay também - pois seus pais são extremamente religiosos e não aceitariam sua condição jamais. Por essa amizade, Paul se une a Joni - sua melhor amiga - para inventar histórias e poder tirar Toni de casa.

"...Acho que nós dois sabíamos, mesmo naquele momento, que o que tínhamos era uma coisa ainda mais rara e mais importante. Eu seria seu amigo e mostraria possibilidades a ele. 
E ele, em troca, se tornaria alguém em quem posso confiar mais do que em mim mesmo."

Joni é a melhor amiga de Paul, uma garota comum, cujo ex namorado ainda é apaixonado por ela, que por sua vez, está começando um namoro com um garoto do qual ninguém gosta. Esse namoro tolhe partes de sua personalidade, o que acaba interferindo em suas amizades, principalmente em sua relação com Paul. Fiquei com muita raiva da Joni porque ela não consegue enxergar que está saindo com um babaca e jogando seu melhor amigo de anos pra escanteio. Sério! Teve horas em que eu queria sacudir o livro e dar uns tabefes na cara dela perguntando como é que ela podia ser tão estúpida! (Ok, ok, muitos sentimentos pessoais envolvidos aqui. Paul, cara, eu sei exatamente como você se sentiu - 'suspiros').

"Não consigo mais aguentar. Estou surtando porque sei que cometi um erro com Kyle, e estou surtando porque não parece ser de todo um erro. Estou surtando porque minha amizade com Joni está passando por um momento delicado depois de dez anos, e estou surtando porque ela não parece se importar. Estou surtando porque Noah parece não saber o que quero dele, e estou surtando porque não sei o que eu poderia dar a ele em retribuição. Estou surtando porque fui pego no flagra, e não por outra pessoa, mas por mim mesmo. Eu vejo o que estou fazendo. E não consigo me impedir de piorar as coisas."

E temos também Infinity Darlene, uma das personagens mais incríveis do livro. Uma super amiga para todas as horas, apoiando Paul com todo seu jeito exuberante, porém verdadeiro. E eu não vou falar mais nada da Darlene aqui para não estragar a reação de quem ainda não leu. Mas ela é uma personagem que merece destaque e que foi, sem dúvida, muito bem construída.

Para fechar o grupo, temos Kyle, o ex namorado de Paul, que vive um dilema de identidade sexual: ele não sabe se é gay, se é hétero, se é verde, amarelo ou azul. Ele fica rondando Paul, pois apesar de ter sido ele quem terminou o relacionamento por achar que gostava de mulher, agora resolveu que sente falta de Paul e quer ser gay de novo. Não gostei do Kyle. A meu ver apareceu só para atrapalhar, não sabe o que quer da vida, se casa ou compra uma bicicleta, enfim, muita confusão mental para mim. Apesar de que no final eu comecei a torcer para que um novo amor surgisse na vida dele, mas o autor não desenvolveu tanto essa parte da história, ficou meio que nas entrelinhas... Mas bem que ia ser legal se tivesse acontecido, pelo contexto geral da situação. 
E é no meio de todo esse turbilhão que Paul tenta seguir seu amor por Noah e fazer com que tudo dê certo.

"Podemos chamar você de ambissexual ou duosexual ou,,,
- Preciso mesmo encontrar uma palavra para isso? Não posso apenas ser?"

Eu amei esse livro, apesar da realidade utópica - sim , isso ficou paradoxal - que ele retrata. Na cidade de Paul ser gay não é problema - o que seria muito lindo se fosse verdade, mas infelizmente a gente sabe que não é - a ponto de o time de futebol, ter como quarterback uma drag quenn! Que como se não bastasse isso, é também a Rainha do baile!
Fora isso existem tantas razões para eu ter amado esse livro que se eu ficar falando vou acabar contando a história toda, o que não é o que eu quero, porque todo mundo tem o direito de se surpreender e se apaixonar por esse livro que, não tem outro jeito de chamar a não ser FOFO.

Lindo seria se a gente pudesse viver no mundo que este livro retrata. Acho que a minha ressaca vem daí. É tudo tão lindo, que dá vontade de ficar lá e não aqui nesse nosso mundo real.

Por hoje é só, leiam este livro e celebrem o amor!

Beijos e até a próxima!

13 de agosto de 2015

Uma noite de Cinderela - Resenha de "Um Perfeito Cavalheiro", de Julia Quinn




Título: Um Perfeito Cavalheiro (An Offer from a Gentleman)
Autor: Julia Quinn
Tradução: Cássia Zanon
Editora: Arqueiro
295 páginas
Livro 3 da série Os Bridgertons


Olá pessoal!
Já faz um bom tempo que eu li este livro, porém só agora tive tempo para me dedicar à resenha dele.
Sou louca por essa série dos Bridgertons e com toda a certeza, este foi o livro que mais gostei até agora - apesar de ter um leve suspeita de que o próximo vai se tornar meu preferido rapidinho...

"- Esta noite eu estou transformada - sussurrou ela. - Amanhã eu desaparecerei.
Benedict a puxou para perto e deu um beijo breve e suave na sobrancelha dela.
- Então teremos que fazer uma vida inteira caber nesta noite."


Bom, quero começar falando do título, que eu acho que ficaria melhor se tivesse sido traduzido ao pé da letra - Uma Oferta de Um Cavalheiro. Obviamente é um título irônico, que brinca com a oferta que Benedict faz a Sophie, que é tudo, menos cavalheiresca.

"- O senhor deve me achar uma tola (...) por não saber dançar.
- Na verdade, eu a acho muito corajosa por admitir isso. (...). A maioria das mulheres que eu conheço teria fingido estar machucada ou desinteressada.
- Eu não tenho o talento necessário para fingir desinteresse."

Adorei este livro pela ideia de utilizar a história da Cinderela como pano de fundo - um baile, uma moça misteriosa que ninguém sabe de onde veio e que foge correndo sem mais nem menos, sem revelar sua identidade, deixando louco de amor o jovem mais cobiçado do local.
tendo sua história totalmente inspirada na Conderela, Sophie sofre todas as maldades possíveis vinda de sua madrasta horrível e das filhas dela. Ser cortejada por um belo cavalheiro de uma família tradicional da sociedade parece um sonho impossível, até que surge sua "fada madrinha" e a ajuda a comparecer ao Baile de Máscaras da Família Bridgerton. Lá, ela encontra Benedict, que claro, fica imediatamente encantado pela jovem misteriosa da qual ninguém conhece a identidade. Esta ovem vai embora repentinamente, levando com ela o coração do segundo Bridgerton.
Enquanto estou escrevendo fico encaixando as cenas do filme da Cinderela (este último que saiu nos cinemas), tudo fica tão lindo...

"Passara a vida seguindo o caminho mais seguro, mais prudente. 
Apenas em uma noite abandonara a precaução. 
E fora a noite mais emocionante, mágica e maravilhosa de toda a sua existência"


Enquanto ficam separados, a adrenalina da leitora voraz e apaixonada por Contos de Fadas como eu, só cresce, porque Sophie está lá, sofrendo e Benedict não consegue parar de pensar nela, sem sequer ter ideia de quem ela é, e a gente fica torcendo por esse reencontro, até que o destino coloca os dois frente a frente novamente. Sophie jamais poderia tê-lo esquecido. já Benedict...

"-Acho que preciso beijá-la - acrescentou Benedicit (...) - 
É como respirar. Não há muita escolha."


Não vou ficar dando muitos detalhes a partir daí, ou vou acabar estragando as melhores partes do livro. Resumindo: amei. Não tem o que falar. Julia Quinn acerta cada vez mais e eu espero sinceramente que o quarto livro continue me fazendo ansiar pelo próximo, amando cada vez mais as histórias desta família que com certeza vai ficar marcada na minha lista de romances de época prediletos.

"- Eu posso viver com você me odiando (...). Só não posso viver sem você."

Aliás, ansiedade é a palavra. Julia Quinn, mulher, como é que você me acaba um livro com a promessa implícita de revelar o maior segredo da sociedade londrina, que vem se arrastando desde o primeiro livro? Para você que não leu ainda, quando você chegar lá no último parágrafo deste livro, volte aqui e me conte se ela tem direito de fazer isso com a gente.
Não vou dizer mais nada. Apenas leiam. Vale mais do que a pena.
Vou ficando por aqui! 
Até a próxima!


"Você compreende qual é a sensação de ser desprezado? Quantas vezes acha que pode me rejeitar antes que eu pare de tentar?"