18 de julho de 2014

Resenha: "A culpa é das estrelas"

Imagem: WeHeartIt

"The Fault in Our Stars", ou "A culpa é das estrelas", como é conhecido aqui no Brasil. Quem me conhece não vai estranhar o fato de ser esse o livro que vai estrear a sessão "resenha" do blog. Ele não é o meu favorito, e se me perguntarem, vou responder rapidamente que ele não encabeça a minha "lista dos melhores livros", mas, e paradoxalmente, com certeza ele está entre aqueles em que os personagens e a realidade destes mais ecoaram dentro de mim...

"Na verdade, sempre doía. Sempre doía não respirar como uma pessoa normal, tendo a toda hora de lembrar aos seus pulmões que eles devem agir como pulmões, fazendo força para aceitar como insolúvel a dor lancinante que vem lá de dentro pela falta de oxigenação." (pág. 47)

Bom, a história narrada no livro é fictícia, embora tenha sido inspirada nas experiências reais de Esther Grace*. No romance de John Green, porém, são Hazel Grace e Augustus Waters, ela com dezesseis anos e ele com dezessete, os personagens centrais. Ambos adolescentes, ambos sobreviventes. Sim, eu disse sobreviventes porque ao mesmo tempo em que Hazel vive uma batalha contra um câncer nos pulmões, Augustus - ou Gus - perdeu uma das pernas também para o câncer.

Esse enredo parece trágico pra você? Sem querer minimizar o lado dramático da história, acho que se você se deixar levar por essa primeira impressão, terminará por perder uma linda história de amor, coragem, luta e superação. Não pretendo aqui comentar detalhes sobre o livro, que já virou filme por sinal, só quero acrescentar que apesar do enredo ser um tanto infanto-juvenil na minha opinião, ele não deixa a desejar em relação ao impacto que John Green pretendeu causar com a sua história. 

 "O verdadeiro amor nasce em tempos difíceis." (pág. 31)
"Nos dias mais sombrios, o Senhor coloca as melhores pessoas na sua vida." (pág. 32)

"A culpa é das estrelas" foi um livro que me fez refletir sobre a vida, apesar da ideia da morte ser uma presença constante em todo o contexto. Hazel e Gus sairam das páginas e sentaram ao meu lado, e senti com eles, em toda a intensidade, a alegria de cada conquista (a viagem para Amsterdã, por exemplo), o medo da inevitável embora aparente perda, e a dor daquela que foi, pra essa pessoa que aqui escreve, a grande surpresa da história. Sobre o que estou falando? Deixo para você perceber quando decidir mergulhar nas entrelinhas de ACEDE, okay? 

"Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam." (pág. 37)

***

*Esther Grace é nossa Hazel na vida real. Adolescente apaixonada por Harry Potter, foi numa conferência sobre os livros que narram as aventuras do menino aprendiz de feiticeiro que ela e Green se conheceram. Diagnosticada com carcinoma papilar da tireoide aos 12 anos de idade, Esther veio a desencarnar em 2010. 
John Green, em uma de suas entrevistas, esclarece: “Esther era uma pessoa incomum, e conhecê-la me lembrou de como os adolescentes podem ser introspectivos e ao mesmo tempo ter uma empatia estonteante. Pensar sobre essas qualidades me deu uma nova visão dessa história, que tentei escrever por 10 anos. É importante dizer que Esther era muito diferente de Hazel e que eu certamente não quis me apropriar da história dela. Mas eu jamais poderia ter escrito este livro se não a tivesse conhecido. Ela inspirou cada palavra.”
Em 2013 foi lançado o livro "A estrela que nunca vai se apagar", que reúne trechos de cartas e dos diários de Esther, que também mantinha um canal no youtube "cookie4monster4".

3 comentários

  1. Linda resenha Malu!
    Eu não li este livro ainda, pois os trechos e comentários que a gente vê por aí, me fizeram ficar com medo de que fosse uma história triste demais e eu sou uma romântica daquelas bem clichês, adoro finais felizes.
    Mas minha curiosidade me venceu e eu fui - contra minha própria regra - assistir o filme sem ter lido o livro. E o filme é lindo, os dois são uns fofos, apaixonantes, a gente deseja ter um Gus para nós e tudo o que eles passam nos faz pensar realmente na vida, em como a gente reclama por pouca coisa, em como existem problemas bem maiores que os nossos e em como existe um lado bom em tudo, mesmo naquilo que a gente não consegue enxergar. Agora este livro está na minha lista extensa e com certeza vou lê-lo. Quando eu não ei, mas vou.
    Bjos Malu!

    ResponderExcluir