Resenha: "Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível"

Oi, gente! 

Peço licença para começar essa resenha de um jeito diferente, escrevê-la inicialmente relembrando uma pergunta que me fizeram há algum tempo, sobre o porquê de eu gostar tanto de ler. Minha resposta foi simplesmente porque sim, porque foi um hábito adquirido ao longo tempo e blá blá blá... É que naquele momento não me cabia divagar sobre a importância dos livros e das histórias que neles encontro... Sobre a forma que a vida achou, talvez, de manter acesa em mim a chama da esperança e me dizer que não importa o caos dentro ou fora de nós, sempre vale a pena sonhar e correr atrás daquilo que faz bater o nosso coração.

Por que, afinal, comentei sobre isso? - você deve estar se perguntando. Bom, se você chegar até o final dessa resenha e se decidir por ler o "Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível", livro escrito por Wallace Cavalcante, o mais novo parceiro do blog, você vai entender que a história de Sofia e Alan é justamente dessas, do tipo que inspira e nos faz acreditar que o impossível é um limite criado pelo medo e, principalmente, pelo preconceito humano. Alan e Sofia seriam só mais um dos casais literários que entraram para o meu rol de favoritos, mas o fato é que a sua história não é apenas um conto de amor invencível. Wallace foi além do romance ao escrever sobre a importância do laços familiares e das amizades, sobre o quanto estes podem influenciar positiva ou negativamente no nosso destino.

Apreciem por si mesmos, okay?

Imagem cedida pelo Autor


Sinopse 
Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível: Alan e Sofia eram dois jovens que queriam viver a sua história de amor em paz. A vida lhes deu algo que tornava este relacionamento quase impossível. Sofia nasceu cega. E Alan, mudo. No entanto, isso não os impediu de lutarem pelo amor que ambos sentiam um pelo outro. Tudo teria sido bem menos complicado se os pais de Sofia não tivessem sido tão rígidos quanto a união deste relacionamento. E para ajudar Alan e Sofia a ficarem juntos, eles contaram com o apoio de algumas pessoas. Entre elas, Dmitri Ivanovich, um fonoaudiólogo que terá uma participação mais do que importante na vida deste casal tão especial.





Confesso que mesmo deduzindo que o livro teria um final feliz - o título dá essa dica, né? - eu fiquei meio intrigada sobre como se desenvolveria um romance entre uma garota com deficiência visual e um rapaz com deficiência na fala. Alan se comunicando através da língua de sinais e Sofia não podendo enxergar seus gestos, como eles poderiam conversar, se entender, se comunicar enfim, algo que é imprescindível a toda e qualquer relação, seja ela afetiva ou não? Claro que apesar desse questionamento, quando eu parei para pensar que tal fato poderia se dar na vida real de duas pessoas, refleti que acima de qualquer obstáculo no que diz respeito à comunicação, eles não impediriam que o amor acontecesse se esse sentimento fosse real e verdadeiro. Tá, esse é meu lado sonhador e romântico falando alto, mas, quer saber? Penso que mundo seria bem melhor se todo mundo tivesse esse jeito "cor-de-rosa" de pensar...

Eles se conheceram quando Sofia e sua família visitavam a ACeDT (Amigo da Criança e De Todos), uma instituição fundada para atender todas as pessoas com necessidades especiais que moravam em Amalaya, cidade em que morava Alan e para a qual a família Hausenback acabara de se mudar. Alan se encanta por ela desde o primeiro momento, e mesmo negando, esse fato fica imediatamente claro para Dmitri Ivanovich, fonoaudiólogo da ACeDT e melhor amigo de Alan.
"Por que eu não consigo parar de pensar nela? Perguntava a si mesmo. Isso não faz sentido, eu a conheci hoje, nem conversamos, e eu já estou apaixonado por ela? Isso... isso é impossível."
Desde o primeiro encontro na instituição, Alan fica preocupado com os próprios sentimentos em relação a garota de 24 anos que, sem perceber, mexeu com o seu coração; mas, tadinho, claro que ele não consegue conter o entusiasmo quando o acaso lhes proporciona um segundo momento com Sofia e sua família, dessa vez num supermercado. Nesse encontro se dá a primeira conversa entre os dois, quando Lúcia, mãe da garota, lê para ela as palavras que o rapaz lhe escreveu num papel. Nessa oportunidade, Allan convida toda a família para jantar no restaurante dos seus pais, um convite que é aceito com alegria por parte de todos. Até esse ponto do livro, eu preciso dizer, a impressão que a gente tem a respeito dos pais de Sofia não nos prepara em nada para a trama que se desenrola no decorrer da história. 

Não vou detalhar os acontecimentos que marcam todo o livro por causa do risco de spoilers, mas como a sinopse já diz, o grande obstáculo para o romance entre os personagens não esteve nas suas limitações físicas como se poderia imaginar inicialmente. A verdade é que muito mais difícil que lidar com a incapacidade de ver, falar e se comunicar como um casal sem deficiência, para eles foi o fato de ter que enfrentar o preconceito revestido de atitudes super protetoras por parte dos pais de Sofia. Lucia e Vitor que inicialmente se colocaram como pessoas gentis e generosas, quando souberam da possibilidade de sua filha vir a se relacionar com uma rapaz também com deficiência, se transformaram nos dois carrasco do romance nascente.
"Lúcia apertou a mão de Sofia com um pouco mais de força sem perceber. Se Sofia pudesse enxergar, ela veria a apreensão estampada no rosto de sua mãe, causada por uma rápida visão do futuro em que Lúcia viu a sua filha ao lado de Alan. 
Você e ele juntos, não faz o menor sentido.
— Por que não? 
— (...) vocês dois juntos é algo impossível de acontecer.
Sofia segurou com força o lençol que forrava a sua cama.
— Por que impossível?
Sofia já sabia o que Lúcia iria lhe dizer, e por mais dura que fosse ouvir isso vindo de sua própria mãe, ela queria escutar porque no fundo, ela tinha uma esperança de que talvez, estivesse errada.
— Porque... — Lúcia hesitou. — Porque você é cega, Sofia, e ele é mudo. Diga-me: como vocês dois poderão ter uma vida feliz? — Lúcia viu a garganta de Sofia sendo retraída, sabia que ela tinha engolido suas palavras a seco. Mesmo assim, ela não parou. — Não é nem tanto por você, mas, é mais por causa dele. Você pode falar, mas ele não, a comunicação é uma das coisas mais importante em um relacionamento. E vocês dois não têm isso. Só de pensar em vocês dois juntos, já me dar dor de cabeça. Eu só quero o seu bem minha filha, eu te amo, e..."

Achei esse diálogo entre mãe e filha de uma beleza e uma sensibilidade ímpar. Amor tentando barrar o fluxo do Amor. Estranho, né? Mas foi assim que enxerguei a problemática e o conflito entre as duas. Que a Lúcia ama a filha, isso é inegável e está presente em todas as páginas do livro. Mesmo fazendo uso de palavras mal ditas e até com um tapa num momento de exaltação, a mãe tenta agir de modo a proteger a filha das possíveis dores que o relacionamento com Alan poderia provocar-lhe. "Lúcia pensava: Eu sei o que é o melhor para ela. Ela pode está sofrendo agora, mas, mais tarde, ela vai me agradecer por isso." Era esse o pensamento da mãe de Sofia no livro. É esse o pensamento de milhares de mães na vida real, sejam mães de filhos com deficiência ou não, no fundo o que elas desejam é manter seus rebentos no melhor estado de segurança física e emocional possível.

Bom, mas estou eu aqui só me prendendo ao jovem casal, e esquecendo o personagem mais lindo do livro. Sim, mais lindo que Sofia e Alan, os personagens principais dessa história. Refiro-me ao fonoaudiólogo Dmitri Ivanovich. Desde a primeira página ele nos cativa pelas suas tiradas irônicas e cheias de humor, pelo seu jeito de lidar com as crianças da ACeDT e, principalmente, pela amizade carinhosa e espontânea que existe entre ele e Alan.  Se Alan teve de lutar contra o preconceito dos pais de Sofia, foi graças a Dmitri que ele não enfrentou essa batalha sozinho. E, o mais importante - na verdade o que fez brotar algumas lágrimas nos meus olhos -, foi graças a esse amigo que o que parecia ter sido o fim, se transformou apenas num breve espaço de tempo marcado pela dor e pela saudade. No fim, acho que posso dizer que foi graças a Dmitri que Alan e Sofia viveram o seu "felizes para sempre!"
“Eu não tive uma vida muito longa, verdade. Não tive esposa ou filhos. Sofri todos os males que um homem deve sofrer, para se tornar um grande homem. Mas acima de tudo. Eu tive amigos. Chorei, e me alegrei ao lado de cada um deles. E para dois desses amigos especiais. Eu lhes deixo o meu último presente. E que mudará a vida de vocês... Para Sempre”.
Preciso dizer mais alguma coisa para vocês terem certeza que recomendo demais esse livro? Não, né?! Para terminar, apresento vocês o Wallace Cavalcante e seus quatro outros livros publicados - juntamente com o Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível - no AMAZON. Espero que tenham gostado de mais essa resenha do nosso blog. Beijinhos e até a próxima!!! :)

Arquivo pessoal do Autor

Wallace Cavalcante

25 anos. Autor de cinco livros na Amazon: "Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível"; "Zuri O Rei das Selvas"; "O Catador de Latinhas"; "Tec... A História de Um Escritor"; e "Meu Conto de Fadas aos Dezesseis". Cursa a faculdade de Letras na UFF pelo consórcio Cederj. Escreve sobre tudo: romance, aventura, ficção científica, suspense.

Comentários

  1. Obrigado Maria Luíza. Fiquei "sem palavras" quando li a resenha que você fez do meu livro, rsrs. Saber que você, uma leitora voraz, gostou do meu trabalho, é um sinal de que eu estou fazendo a coisa certa: escrever, escrever, e escrever.
    Lhe desejo todo o sucesso do mundo. Um forte abraço.

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    1. Bem vindo Wallace! Chegou no T&R e chegou chegando!
      Tô curiosíssima para ler seu livro.
      Parabéns pela escolha do tema.
      Depois que eu ler volto para falar mais! ;)

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    2. Hey, Wallace!!
      Fico feliz de verdade que você tenha curtido a resenha. Seu livro é gostoso de ler e foi um prazer escrever sobre ele!! Te desejo todo sucesso!! :)

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  2. Oi!! Parece ser uma livro muito emocionante... Estou super ansiosa para ler alguma obra do Wallace =D

    http://vicioseliteratura.blogspot.com.br/

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    1. Ana Paula, oi!
      Então, esse é um livro que toca a gente! Eu que dificilmente choro, cheguei a ficar com os olhos molhadinhos... rs... Enfim, é uma ótima leitura! Recomendo.
      Obrigada pela visita, viu?
      Bjo.

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  3. Maluuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
    quero ler esse livro Jáááááááá´´aááááááááá´
    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    Já me apaixonei

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    1. Você vai gostar, Ju!! Tenho certeza!!! ^^

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